Patagonia
Duas novas galerias de fotos: Patagonia e shows
Montei uma galeria com fotos da viagem à Patagonia.
Aproveitei e montei outra que há muito tempo pensava em fazer: as fotos dos shows. Embora estas tenham sido feitas sem compromisso algum e com uma câmera simples, é o tipo de material que eu gosto de rever. Confiram.
Perito Moreno

Nossos últimos dias na Patagonia ficaram reservados para El Calafate. Voltamos de Torres del Paine em seis horas, mesmo com um vento soprando bem mais de 100km/h a favor. O tão conhecido vento deu o ar da graça, arrastando o carro mesmo ele estando parado.

Acordamos cedo e nos dirigimos ao porto já dentro do parque para subir a bordo do barco que nos levaria até a outra margem do lago onde faríamos a caminhada no glaciar. Dezenas de turistas divididos em grupos falando inglês ou espanhol. Tudo muito organizado.

Por duas horas caminhamos sobre o gelo secular e, sem dúvida, foi um dos pontos altos da viagem.

Encerrado o passeio no gelo, fomos até as passarelas admirar o glaciar de frente. Chama a atenção o tamanho da estrutura para visitação, a organização do parque e o atendimento dos guarda-parques. Não há como negar que eles estão muito à nossa frente nesse quesito. Enquanto aqui as áreas de preservação agonizam pela falta de verba e/ou má administração e tudo é proibido, lá os turistas chegam do mundo inteiro e encontram uma bela estrutura à disposição.
Amanhecer em El Chaltén
O timelapse acima foi feito usando a G9 com um frame a cada dois segundos durante o amanhecer. Prendi a câmera com fita crepe junto à cerca enquanto eu fazia as outras fotografias. A grande mancada foi não ter preparado a G9 como eu fiz com o resto do equipamento. Na correria não conferi e o ISO ficou em 400, o que para uma câmera assim é um desastre. Infelizmente não tive muito tempo nem conhecimento para fazer uma abertura mais caprichada. Montei tudo no Photoshop e usei as ferramentas que conheço. Pelo menos, não vai ficar guardada no hd.
El Chaltén (3)
Ao sair da pizzaria, notamos que o céu estava totalmente limpo. Dirigi até a fazenda para pegar o equipamento e, mesmo passando da meia-noite e fazendo frio, fizemos algumas fotos em longa exposição. Com a lua cheia, conseguimos um céu bem claro.

Menos de quatro horas depois, já estava mais uma vez cheio de roupa e na beira da estrada para então finalmente captar o amanhecer com céu aberto. Depois de tantos dias na cidade, achei que nem teria mais essa chance, mas nos últimos momentos ela apareceu. Antes das seis horas da manhã o céu já estava nublado e eu de volta à cama, pois passaríamos o dia na estrada até Torres del Paine.


El Chaltén (2)
Na segunda-feira acordei por volta das 4:30 para fazer algumas fotos do amanhecer, na esperança de encontrar as montanhas visíveis. A cobertura de nuvens seguia, o que me trouxe de volta à cama após poucas fotos. O mais curioso foi encontrar outros dois fotógrafos/cinegrafistas em pontos parecidos da estrada esperando pelo mesmo espetáculo.

Nesse dia, optamos por fazer uma caminhada até os acampamentos do Fitz Roy, mas acabamos seguindo adiante e subimos até a Laguna de Los Tres. Tal passeio foi um tanto cansativo, uma vez que levamos mais doze horas para completá-lo. Vento, frio, neve, muita nuvem e nada de enxergarmos os cumes.


No dia seguinte seguinte, optei por não acordar ao amanhecer e, é claro, pela primeira vez os cumes se mostraram. Pulei rapidamente da cama ao perceber a oportunidade de fotos, joguei tudo dentro do carro e fomos para o ponto na estrada que eu havia marcado de acordo com que havia observado. Rapidamente fiz mais de uma centena de fotos, desde planos fechados até panorâmicas com mais de 40 imagens.

Nesse dia foi a vez de caminharmos em direção ao Cerro Torre. Voltamos cedo e acabamos curtindo nosso último dia na agradável cidade. Ao longo de sua principal avenida, Chaltén tem uma série de pousadas, agências de viagens e restaurantes. Puro charme no fim do mundo.
Primeiro fomos comer alguma coisa na Wafleria, lugar perfeito para quem volta de uma caminhada e precisa repor as energias. Repleta de revistas de montanhas e mapas, disfrutamos cafés e chocolate quente. Não distante dali tem a Marcopolo bookstore onde comprei mais alguns livros para minha coleção.
Por estar muito no sul, anoitece tarde, por volta de onze horas. Nosso último jantar foi naquele que virou meu restaurante favorito no mundo: Patagonicus. Uma pizzaria atendida pelas filhas de Cesarino Fava, o primeiro cara a demonstrar real interesse no Cerro Torre e atrair a atenção de todos para a montanha. Ele participou na controversa primeira escalada de 1959, mesmo sem ter os dois pés, amputados em um resgate no Aconcágua. As paredes do restaurante são repletas de fotos da expedição de 1959 e 1970, onde tanto Fava como Cesare Maestri participam. Não é permitido fazer fotos no local, mas dei um jeitinho. Pelo reflexo do vidro é possível ver as imagens expostas na parede. Enquanto comíamos nossa pizza, pelas janelas do restaurante víamos os cumes serem cobertos pela noite. Inesquecível.


El Chaltén (1)
Desde que andei pelo Aconcágua há mais de quinze anos, sonhava em conhecer El Chaltén. Poder ficar cara a cara com algumas das mais belas montanhas do mundo e visualizar todos as histórias que havia lido há muito tempo ocupava minha mente. No vôo, reli toda a controvérsia da primeira escalada do Cerro Torre e matérias sobre outras vias nessa que é uma das mais difíceis montanhas do mundo.

O domingo, embora ensolarado, tinha ainda todos os cumes escondidos por nuvens. Pegamos o carro e seguimos por uma estrada de rípio até o Lago del Desierto, motivo de disputa por Argentina e Chile e principal razão da fundação da cidade. Logo no início da estrada paramos no Chorillo del Salto, uma queda d’água no arroio que desce das montanhas. Subimos uma trilha ao lado da cascata e logo encontramos outras quedas, igualmente bonitas.

A estrada até o lago tem pouco menos de 40km, serpenteia pelo vale e depois por entre montanhas nevadas. Sem dúvida, um belo passeio que acabou nos ocupando o dia inteiro.

Viagem pela Patagonia
Embarcamos os quatro na tarde do dia 25 para Buenos Aires. O dia começou tumultuado, pois passei a madrugada no pronto socorro acompanhando meus pais que sofreram um acidente no taxi que os transportava para casa após nossa celebração natalina. Eu estava cansado e tinha bebido um pouco, então concordei que eles fossem de taxi para casa. Parece que o motorista bebeu bem mais e ainda dormiu no volante, pois bateu em alta velocidade em um carro parado no meio de uma reta. Por sorte, nada muito mais que um nariz quebrado da minha mãe, um grande susto para todos e poucas horas de sono para mim.
De Buenos Aires partimos cedo no sábado para chegar em El Calafate por volta do meio-dia. O aeroporto ao lado do lago Argentino fica a uns 20km da cidade e está totalmente escondido pelas colinas ao seu redor. Não se enxerga nada em volta. Dia ensolarado, pegamos o carro e rumamos direto para cidade para comprar algumas roupas e almoçar. Nosso destino nesse dia era El Chaltén, pequena cidade cerca de duzentos quilômetros ao norte.

Com o câmbio favorável, mais uma vez fizemos uma ótima refeição a preços módicos e deixamos Calafate com uma excelente impressão.

Rumamos norte por estradas asfaltadas, sempre bem sinalizadas e praticamente desertas. Os mirantes estão sinalizados adequadamente para fotógrafos. Próxima a El Chaltén, a placa mostra uma câmera de fole daquelas de grande formato.

À medida que nos aproximávamos do nosso destino víamos que as nuvens junto à cordilheira não iriam ceder e mal enxergamos as montanhas. Ficamos hospedados na Estância La Quinta, uns dois quilômetros antes de chegar à cidade. Recepcionados por Alfredo, ouvimos histórias sobre a centenária fazenda e a promessa de que o tempo estava melhorando. Lentamente, mas estava.

Nossa escolha foi boa. A pousada é agradável e Alfredo foi incansável em fornecer dicas. Dias depois, circulando pelo restaurante, descobri fotos, mapas e autógrafos da equipe francesa que escalou o monte Fitz Roy pela primeira vez em 1952. Material digno de museu nas paredes da pousada.

Feliz 2010!

Depois de alguns dias pela Patagônia, estou de volta. Por mais que minhas expectativas fossem altas, Chaltén e Calafate conseguiram se superar. Muitas fotos e muitas histórias, as quais vou dividindo aos poucos com vocês.
A foto acima foi feita um pouco antes de chegar à Chaltén à 1 hora da madrugada de uma noite de lua cheia. A faixa laranja são as luzes da cidade. Menos de quatro horas depois já estava fotografando novamente, desta vez o único amanhecer limpo dos cinco dias que estivemos na cidade.
Acompanhem o blog, pois nos próximos dias vou contando a minha experiência entre as mais belas montanhas da América.
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