Metallica em Porto Alegre

Foi daquelas noites para ficar para sempre na memória.

Minha ansiedade era tamanha que logo após o almoço já me dirigi para o aeroporto. Cheguei cedo para quem tinha um ingresso vip, mas tarde para a bagunça que tomava forma. Consegui uma das últimas vagas no estacionamento do aeroporto. No local do show, um terreno baldio que foi improvisado como arena de espetáculo, descobri que meu ingresso de vip só tinha o preço. A fila para qualquer local era a mesma e lá fui o eu para o seu final, já passando o hotel Ibis.

Programados para abrir às 17 horas, os portões abriram atrasados e a fila seguia lentamente. Após algumas inspeções, finalmente o portão correto, cheguei ao lamaçal fedido que a Opinião Produtora teve a coragem de chamar de Pista Vip. A cara de pau foi tão grande que não contentes em esquecer de providenciar um local decente ainda superlotaram uma área de ingresso caro. Muita cara de pau!! Sofrimento maior deve ter tido quem comprou o ingresso pela internet e retirou antes do show. Mais de duas horas na fila! Mas para poder assitir ao Metallica o pessoal suporta todo esse amadorismo e nenhum incidente aconteceu.

Na hora que os caras entraram no palco foi um empurra-empura generalizado e eu que estava longe, acabei a apenas três metros da grade. Gravei em video toda a primeira música e dá para sentir a euforia do pessoal. Por mais que tentasse, não consegui manter a câmera estável. Confira aqui o video, mas a qualidade no Youtube deixa a desejar. Depois do feriadão, coloco “One” e “Seek and Destroy” no Vimeo ou aqui no blog.

Clássicos da banda e músicas do novo disco foram intercaladas e, sempre que possível, fazia algumas fotos e vídeos. Mais tarde subo uma galeria com as fotos que fiz.

Terminado o show, levei cerca de uma hora e meia para chegar no meu carro que estava simplesmente no outro lado da rua. O que já não era um primor do organização virou um zona total, pois agora além do amadorismo da Opinião ainda tiveram a ajuda da incompetência da EPTC. Esses caras não conseguem organizar o trânsito de um aniversário infantil, imagina coordenar todos aqueles veículos em vias estreitas ocupadas por vendedores de cerveja, camisetas e outras bugigangas. Reunidos em grupos, sempre longe do problema viário, só fazem número. Por vários minutos a via era ocupada apenas por pedestres enquanto os carros esperavam pacientemente.

Do alto do estacionamento do aeroporto pudia ver tudo parado. Sentei no carro e conferi todas as fotos e videos nos 6G de material que captei na apresentação. Entre o fim do show e o momento de ligar o carro, foram duas horas e meia. Fico imaginando quem chegou cansado em um daqueles últimos vôos da noite. Eu entrei no meu prédio às três horas desta manhã sob o olhar atônito do porteiro que me olhava meio sem jeito por estar embarrado e sem camisa.

Acordei com aquela agradável sensação de ouvido ainda zunindo.

É lamentável a cidade não dispor de um local para espetáculos e ainda tumultuar a área de um aeroporto internacional. Como se a Infraero já não atrapalhasse o suficiente a vida de quem depende aviões. E mais triste é pensar que acham que tem condições de sediar algum evento de porte global como Copa do Mundo. Dias atrás comentando com um taxista, descobri que apenas dois de mais de 150 daqueles taxis brancos do aeroporto dispõem de motorista com alguma noção de inglês. Chega a ser cômico então ler no jornal que a Opinião estava cogitando trazer o U2.

Por mais que pareça o contrário, o pessoal que vai nesses shows é extremamente tranqüilo e as noites acabam sem problema algum, mesmo que os responsáveis pela produção deixem a desejar. Grupos de jovens sentados no chão ao lado dos carros com as portas abertas e o som rolando aguardavam calmamente o trânsito melhorar.

Todos, como eu, alheios à esculhambação, completamente embarrados, mas de alma lavada.

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Friday, January 29th, 2010 show

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