Torres del Paine
- Primeira vez em Torres del Paine?
- Não, provavelmente a última!!
O diálogo acima é fictício, mas poderia muito bem ter ocorrido. Não aconteceu por que os guardaparques chilenos não fazem a mínima questão de se mostrarem solícitos e também por que o parque é muito lindo e merece uma outra visita. No inverno, vamos deixar claro.

Saímos de El Chaltén no dia 30, uma quarta-feira, e rodamos os pouco mais de 500km ao longo do dia. Passamos por Calafate para almoçar e abastecer, perdemos algum tempo nas aduanas e chegamos no parque por volta das 19 horas. As surpresas vieram à rodo. Primeiro por que aquilo que eu imaginava ser uma portaria com informações e alguma atenção para o turista é um casebre atendido por um cobrador e um policial muito mal-humorados. Ficamos sabendo que o ingresso, que não é barato, dá direito a três dias e esse primeiro dia conta inteiro, mesmo entrando nesse horário. A segunda surpresa foi saber que nosso hotel fica fora do parque (500m) e, portanto, no dia da nossa saída (2), não poderíamos passar por dentro dele, mesmo que estivéssemos indo embora e esse fosse o caminho natural.
Rodamos mais 50km até chegar ao hotel por uma estrada de rípio, que embora em boa condições, margeia o lago de maneira assustadora sem proteção alguma. Para completar, as vans dos hotéis que fazem o transporte dentro do parque dirigem a tal velocidade que tornam o passeio, nosso e dos seus passageiros, um banho de adrenalina.
Chegamos no hotel e continuaram as surpresas. Nossas reservas não foram encontradas, mesmo apresentando todos os comprovantes e o hotel estava lotado (é…com agente de viagens também acontece isso). Descobrimos que no sistema deles estavam nos aguardando dia primeiro, mas o problema foi solucionado em menos de duas horas. Nem tomamos banho e fomos direto jantar, pois faltava meia hora para o encerramento. Mesmo ainda dentro do prazo, não tinha mais comida. O chef tentou fazer alguma coisa para nós, mas estava intragável. Mesmo assim, debitaram os quatro jantares na nossa conta. Para completar a noite, banho com água fria!
Nos dois seguintes rodamos pelas atrações do parque. Certamente rodamos mais de 300km naquelas estradas empoeirentas que me deixaram completamente congestionado. As vias são mal sinalizadas, os guardaparques não tem uniforme e mal se levantam da cadeira para conferir seu ingresso, a guarderia central, que tem algumas informações para turistas, estava totalmente no escuro, os preços são para turistas europeus e uma das trilhas (das torres) estava coberta de esterco e moscas, pois também serve de trilha para cavalgadas. No parque vi placas de agradecimento à Comunidade Européia pelo dinheiro recebido, mas não parece que esteja sendo bem empregado.

Toda área tem um micro-clima muito característico e as nuvens não abandonam a região. Nem vimos céu azul. Conversando com o pessoal, descobrimos que o inverno é a melhor época para fotos, pois o céu está limpo e não há vento, incansável nestes meses. As fotos ficaram restritas a guanacos e quedas d’água. Do meu quarto tinha visão geral da montanhas do parque. No dia primeiro cheguei a cordar bem cedo e coloquei a G9 para fazer um timelapse pela janela, mas com tantas nuvens, não valeu o investimento.
Depois de uma longa choradeira, fomos liberados no dia 2 a sair por dentro do parque, o que só aconteceu por que ela deve ter se enchido da minha cara. Com ventos de mais de 100km/h, seguimos de volta para Calafate para a última parte da viagem.
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Fala André.
Te encontrei pelos caminhos virtuais então!
Que barato, vc está em viagem ainda ou já está de volta?
Estive neste roteiro ano passado, invernão. Foi uma baita viagem. Confere nosso blog da época
http://expedicaoterradofogo.wordpress.com
Boas prá vc e se estiver de volta a POA qdo for aí faço contato.
Grande abraço
Mauro