Duas novas galerias de fotos: Patagonia e shows
Montei uma galeria com fotos da viagem à Patagonia.
Aproveitei e montei outra que há muito tempo pensava em fazer: as fotos dos shows. Embora estas tenham sido feitas sem compromisso algum e com uma câmera simples, é o tipo de material que eu gosto de rever. Confiram.
As fotos do show

clique aqui para conferir a galeria de fotos do show
Quem estava lá a trabalho e fez um belo material foi o Mateus Bruxel. Confira aqui o trabalho dele no site do UOL. Nesses eventos a gente vê cada um posando de fotógrafo que é muito legal ver o trabalho de gente que realmente sabe fotografar.
Metallica em Porto Alegre

Foi daquelas noites para ficar para sempre na memória.
Minha ansiedade era tamanha que logo após o almoço já me dirigi para o aeroporto. Cheguei cedo para quem tinha um ingresso vip, mas tarde para a bagunça que tomava forma. Consegui uma das últimas vagas no estacionamento do aeroporto. No local do show, um terreno baldio que foi improvisado como arena de espetáculo, descobri que meu ingresso de vip só tinha o preço. A fila para qualquer local era a mesma e lá fui o eu para o seu final, já passando o hotel Ibis.
Programados para abrir às 17 horas, os portões abriram atrasados e a fila seguia lentamente. Após algumas inspeções, finalmente o portão correto, cheguei ao lamaçal fedido que a Opinião Produtora teve a coragem de chamar de Pista Vip. A cara de pau foi tão grande que não contentes em esquecer de providenciar um local decente ainda superlotaram uma área de ingresso caro. Muita cara de pau!! Sofrimento maior deve ter tido quem comprou o ingresso pela internet e retirou antes do show. Mais de duas horas na fila! Mas para poder assitir ao Metallica o pessoal suporta todo esse amadorismo e nenhum incidente aconteceu.
Na hora que os caras entraram no palco foi um empurra-empura generalizado e eu que estava longe, acabei a apenas três metros da grade. Gravei em video toda a primeira música e dá para sentir a euforia do pessoal. Por mais que tentasse, não consegui manter a câmera estável. Confira aqui o video, mas a qualidade no Youtube deixa a desejar. Depois do feriadão, coloco “One” e “Seek and Destroy” no Vimeo ou aqui no blog.
Clássicos da banda e músicas do novo disco foram intercaladas e, sempre que possível, fazia algumas fotos e vídeos. Mais tarde subo uma galeria com as fotos que fiz.
Terminado o show, levei cerca de uma hora e meia para chegar no meu carro que estava simplesmente no outro lado da rua. O que já não era um primor do organização virou um zona total, pois agora além do amadorismo da Opinião ainda tiveram a ajuda da incompetência da EPTC. Esses caras não conseguem organizar o trânsito de um aniversário infantil, imagina coordenar todos aqueles veículos em vias estreitas ocupadas por vendedores de cerveja, camisetas e outras bugigangas. Reunidos em grupos, sempre longe do problema viário, só fazem número. Por vários minutos a via era ocupada apenas por pedestres enquanto os carros esperavam pacientemente.
Do alto do estacionamento do aeroporto pudia ver tudo parado. Sentei no carro e conferi todas as fotos e videos nos 6G de material que captei na apresentação. Entre o fim do show e o momento de ligar o carro, foram duas horas e meia. Fico imaginando quem chegou cansado em um daqueles últimos vôos da noite. Eu entrei no meu prédio às três horas desta manhã sob o olhar atônito do porteiro que me olhava meio sem jeito por estar embarrado e sem camisa.
Acordei com aquela agradável sensação de ouvido ainda zunindo.
É lamentável a cidade não dispor de um local para espetáculos e ainda tumultuar a área de um aeroporto internacional. Como se a Infraero já não atrapalhasse o suficiente a vida de quem depende aviões. E mais triste é pensar que acham que tem condições de sediar algum evento de porte global como Copa do Mundo. Dias atrás comentando com um taxista, descobri que apenas dois de mais de 150 daqueles taxis brancos do aeroporto dispõem de motorista com alguma noção de inglês. Chega a ser cômico então ler no jornal que a Opinião estava cogitando trazer o U2.
Por mais que pareça o contrário, o pessoal que vai nesses shows é extremamente tranqüilo e as noites acabam sem problema algum, mesmo que os responsáveis pela produção deixem a desejar. Grupos de jovens sentados no chão ao lado dos carros com as portas abertas e o som rolando aguardavam calmamente o trânsito melhorar.
Todos, como eu, alheios à esculhambação, completamente embarrados, mas de alma lavada.
Curso de Lightroom
Nos dias 8, 9 e 10 de fevereiro vai acontecer mais uma turma de Lightroom aqui no estúdio.
O que vem por aí?
O tão aguardado iPad foi apresentado e em 60 dias estará nas prateleiras. Será apenas um iPod grande? Claro que não!
Assim como o iPod revolucionou a música, esse novo brinquedinho vai mexer com o mercado editorial. Livros, jornais e revistas, estes dois últimos agonizando no mundo inteiro, terão um novo futuro pela frente. Quem hoje em dia, em sã consciência, gasta dinheiro em um cd? Todos meus discos vieram para o hd e logo vão desaparecer da minha vista em casa também, algo completamente inimaginado por mim há pouco tempo. Graças a revolução do iPod e do iTunes com sua loja. Se na música isso já é realidade, a mudança deve ocorrer no conteúdo escrito. Em breve, os jornais e revistas serão lidos nesses aparelhos. Enquanto você lê a materia sobre seu time, já aparece uma janela com os melhores lances, os gols e até aquele pênalti não marcado. Nos cafés, em vez de revistas penduradas, basta ligar um iPad, seja ele seu ou fornecido pelo estabelecimento. Já imaginou o movimento (pelo menos nesse início) do primeiro café a oferecer essa possibildade a seus clientes?
Para os fotógrafos profissionais que ainda se perguntavam por que as novas câmeras vinham com capacidade de captar video e por que é importante se preocupar com isso, eis a resposta. Quem vai conseguir vender imagens estáticas quando o consumidor quer imagens em movimento? Ao mesmo tempo que a tecnologia inunda o mercado com novos profissionais, novas portas se abrem para aqueles que tem a percepção. Abastecer esse novo mercado com conteúdo de qualidade vai ser o novo desafio. Fotógrafos no mundo inteiro migraram para a Canon 5D e produzem não apenas as fotos do anúncio, mas também o video. A quantidade de acessórios disponíveis para a 5D em menos de 18 meses do seu lançamento é impressionante e mostra como as coisas caminham. Quem sabe agora a Nikon acorde da sua pasmaceira e pare de oferecer câmeras que gravam apenas em 720p.
Muito provavelmente a Panasonic vai roubar mercado dessas duas japonesas, uma vez que a sua tecnologia de video parece melhor. Eventualmente se essa revolucão se confirmar, quem deve ter lugar de destaque é a RED que promete para esse ano a sua Scarlet (veja o post aqui no blog), uma câmera de foto e video de grande capacidade, mas que tem uma ergonomia completamente diferente e muito mais ajustada ao video. Sem falar na possibilidade que a partir dos frames individualizados temos as fotos em alta resolução.
Não há como negar que é uma grande época para trabalhar com imagens.
iPad
Enquanto escrevo, acompanho nos sites o lançamento do iPad, o tão esperado tablet da Apple. À primeira vista, parece um iPhone grande. Tela de 9,7″, peso de 680 gramas, espessuara de 1,27cm e bateria com duração de 10 horas.
A Apple promete outra revolução e pode ser a salvação para jornais e revistas que seguem quebrando no mundo inteiro. Resta saber se eles vão conseguir cobrar pelo conteúdo. Além disso, outro investimento forte é na área de aplicativos para esses produtos. No último Natal, a quantidade de downloads de jogos para o iPod Touch deixou empresas tradicionais preocuadas.
Começa em US$ 499 e vai estar disponível em 16G, 32G e 64G. Assista o video aqui.
Perito Moreno

Nossos últimos dias na Patagonia ficaram reservados para El Calafate. Voltamos de Torres del Paine em seis horas, mesmo com um vento soprando bem mais de 100km/h a favor. O tão conhecido vento deu o ar da graça, arrastando o carro mesmo ele estando parado.

Acordamos cedo e nos dirigimos ao porto já dentro do parque para subir a bordo do barco que nos levaria até a outra margem do lago onde faríamos a caminhada no glaciar. Dezenas de turistas divididos em grupos falando inglês ou espanhol. Tudo muito organizado.

Por duas horas caminhamos sobre o gelo secular e, sem dúvida, foi um dos pontos altos da viagem.

Encerrado o passeio no gelo, fomos até as passarelas admirar o glaciar de frente. Chama a atenção o tamanho da estrutura para visitação, a organização do parque e o atendimento dos guarda-parques. Não há como negar que eles estão muito à nossa frente nesse quesito. Enquanto aqui as áreas de preservação agonizam pela falta de verba e/ou má administração e tudo é proibido, lá os turistas chegam do mundo inteiro e encontram uma bela estrutura à disposição.
Torres del Paine
- Primeira vez em Torres del Paine?
- Não, provavelmente a última!!
O diálogo acima é fictício, mas poderia muito bem ter ocorrido. Não aconteceu por que os guardaparques chilenos não fazem a mínima questão de se mostrarem solícitos e também por que o parque é muito lindo e merece uma outra visita. No inverno, vamos deixar claro.

Saímos de El Chaltén no dia 30, uma quarta-feira, e rodamos os pouco mais de 500km ao longo do dia. Passamos por Calafate para almoçar e abastecer, perdemos algum tempo nas aduanas e chegamos no parque por volta das 19 horas. As surpresas vieram à rodo. Primeiro por que aquilo que eu imaginava ser uma portaria com informações e alguma atenção para o turista é um casebre atendido por um cobrador e um policial muito mal-humorados. Ficamos sabendo que o ingresso, que não é barato, dá direito a três dias e esse primeiro dia conta inteiro, mesmo entrando nesse horário. A segunda surpresa foi saber que nosso hotel fica fora do parque (500m) e, portanto, no dia da nossa saída (2), não poderíamos passar por dentro dele, mesmo que estivéssemos indo embora e esse fosse o caminho natural.
Rodamos mais 50km até chegar ao hotel por uma estrada de rípio, que embora em boa condições, margeia o lago de maneira assustadora sem proteção alguma. Para completar, as vans dos hotéis que fazem o transporte dentro do parque dirigem a tal velocidade que tornam o passeio, nosso e dos seus passageiros, um banho de adrenalina.
Chegamos no hotel e continuaram as surpresas. Nossas reservas não foram encontradas, mesmo apresentando todos os comprovantes e o hotel estava lotado (é…com agente de viagens também acontece isso). Descobrimos que no sistema deles estavam nos aguardando dia primeiro, mas o problema foi solucionado em menos de duas horas. Nem tomamos banho e fomos direto jantar, pois faltava meia hora para o encerramento. Mesmo ainda dentro do prazo, não tinha mais comida. O chef tentou fazer alguma coisa para nós, mas estava intragável. Mesmo assim, debitaram os quatro jantares na nossa conta. Para completar a noite, banho com água fria!
Nos dois seguintes rodamos pelas atrações do parque. Certamente rodamos mais de 300km naquelas estradas empoeirentas que me deixaram completamente congestionado. As vias são mal sinalizadas, os guardaparques não tem uniforme e mal se levantam da cadeira para conferir seu ingresso, a guarderia central, que tem algumas informações para turistas, estava totalmente no escuro, os preços são para turistas europeus e uma das trilhas (das torres) estava coberta de esterco e moscas, pois também serve de trilha para cavalgadas. No parque vi placas de agradecimento à Comunidade Européia pelo dinheiro recebido, mas não parece que esteja sendo bem empregado.

Toda área tem um micro-clima muito característico e as nuvens não abandonam a região. Nem vimos céu azul. Conversando com o pessoal, descobrimos que o inverno é a melhor época para fotos, pois o céu está limpo e não há vento, incansável nestes meses. As fotos ficaram restritas a guanacos e quedas d’água. Do meu quarto tinha visão geral da montanhas do parque. No dia primeiro cheguei a cordar bem cedo e coloquei a G9 para fazer um timelapse pela janela, mas com tantas nuvens, não valeu o investimento.
Depois de uma longa choradeira, fomos liberados no dia 2 a sair por dentro do parque, o que só aconteceu por que ela deve ter se enchido da minha cara. Com ventos de mais de 100km/h, seguimos de volta para Calafate para a última parte da viagem.
Amanhecer em El Chaltén
O timelapse acima foi feito usando a G9 com um frame a cada dois segundos durante o amanhecer. Prendi a câmera com fita crepe junto à cerca enquanto eu fazia as outras fotografias. A grande mancada foi não ter preparado a G9 como eu fiz com o resto do equipamento. Na correria não conferi e o ISO ficou em 400, o que para uma câmera assim é um desastre. Infelizmente não tive muito tempo nem conhecimento para fazer uma abertura mais caprichada. Montei tudo no Photoshop e usei as ferramentas que conheço. Pelo menos, não vai ficar guardada no hd.
El Chaltén (3)
Ao sair da pizzaria, notamos que o céu estava totalmente limpo. Dirigi até a fazenda para pegar o equipamento e, mesmo passando da meia-noite e fazendo frio, fizemos algumas fotos em longa exposição. Com a lua cheia, conseguimos um céu bem claro.

Menos de quatro horas depois, já estava mais uma vez cheio de roupa e na beira da estrada para então finalmente captar o amanhecer com céu aberto. Depois de tantos dias na cidade, achei que nem teria mais essa chance, mas nos últimos momentos ela apareceu. Antes das seis horas da manhã o céu já estava nublado e eu de volta à cama, pois passaríamos o dia na estrada até Torres del Paine.


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